“Processo amoroso”
Variadas figuras se fundem, mesclam e confundem-se na paisagem-imagem deste quadro.
Num canto um demônio palhaço de língua azul faz escárnio gritando impropérios. Cada cuspida-frase colorida em tom e freqüência de onda canta no relevo plano giratório cores variante e cambiantes. Onde parece cobrinhas azuis, rosas, pontilhadas, enrodilhadas são apenas olhos vivos vendo, não o artista, mas prescrutando o contemplador do momento, absorto, desavisado, desvairado...quem é esse que me vê/olha pergunta o retrato-quadro compacto em óleo e olhos sobre tela.
Quantos elementos desnecessários e inúteis formam fragmentos. O rosa é mais vermelho que o azul. Bocas flagrantes e línguas enroscadoras com confetes e brilho festivo, efusivos se movimentam num ritual todo erótico e puro. Outro ser estranho saltou para dentro. Agora vejo mais acima um mix ave com ‘Sei lá quê’ cabelo verde veronese e perfil bico azul celeste. Há muito mais destes seres acima e abaixo desta camada que parece pintura. Tudo vive e respira no quadro. Cada coisa tem sentido, significado e propósito de ser, para existir aqui e agora. Quando se desvia o olhar o todo se meche. Não se decompõe, mas inventa sem pincel e tinta outra pintura aparência enganadora. Conhecido(a)? acho que te enganas. Na realidade não existe o que estou falando, vale apenas tua verdade, o resto é mito e histórias destiladas pela mente atilada, sem sossego, sem aguardente, sem agenda.
Gritos estéreis, sons sonâmbulos percorrem as ruelas, vias, buracos, logradouros, precipícios iluminados. Serpentinas repentinamente acontecem colorindo. Um elefante infante azul fantasma, espremido e reprimido pelo rosa e vileta. A sua tromba emerge e goza enrustida personificando outros bichos estranhos e mal delineados pelo artista.
Há risos e gargalhadas acontecendo simultaneamente em todos os vales e perímetros urbano-circences. Juntando a todos estes ingredientes acrescente o nada, sem-fundamentos, parafusos soltos e veja tudo.
Ainda não terminei a retórica acrobática da ilusão! Não estas vendo as escadas que feitas para descerem e não escalar foram ali colocadas? Parece sim, certamente agora reparo tonto, é um carnaval num sem-antro onírico? Como do nada nascem estes despropósitos? Nada, Nada, Nada não...o Nada é tudo! ¤¡
“Viagem para dois”
Uma Lua com chapéu de mexicano roendo as unhas de dois de seus parcos dedos-flores...Composição equilibrada, flores brotam do chão nada, além quadrado tela. Sem-formas riem e discutem entre si, espremendo-se, jorrando cantos e cântaros luzes multicolores de fontes invisíveis a óleo nu.
Mais ao centro e a direita uma bomba se instala no peito do quadro; um coração centro comando, nutrindo, refletindo, queimando em verde e azul e rosa, o sangue tinta jorra e mancha todo abstrato, se possível escorreria além tela, pelas paredes, pelo espaço resíduo-obliquo-restante, nas veias do universo, entumeceria todas as células e provocaria cócegas nas orelhas de sabe quem for-é, no vácuo, no vadio, vagamundo...Ah que preguiçite aguda amarela! Ainda dentro destes ângulos abertos retos cobras contracenam, rebolam, se escondem, somem e aparecem espontâneas, sem comando, sem sexo e nexo, rabos luxuriantes contaminam, resplandecem; regridem a formas etéreas, elementares, pseudo-humanas, bem criadas pela energia formiga-atômica, solar, cósmica, infinita...Uma serpentinha faz diferença galáxia sem importância alguma, sem interferência tonal, tampouco racional. Composição equilibrada pelo cérebro sem mente comando. Repetem-se escadas tortas, vias, estradas, faixas marrons, azuis ultramares, ultra-para-além-oceânos, mundos...melhor deitar os olhos e relaxar. Contemplar sem medo, sem claustro-amplofobia, sem esperar prêmio Nobel de vadio. “Deixem o título e me paguem o salário”, exclamava meu amigo garçon repetidor, copiador, meio vivo e metade morto. Deus exclama ou ré trocede à chama? Coronária, corolária, amarela(o) malária febre claro de cádmio, misturado com alaranjado cobalto azul. Se possível me avise qual nível estamos, me perdi dos argumentos, acho que estou só nos sentimentos abaralhado, disperso, embrulhado no branco azul real.
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₫Num certo dia acontece. Se você estiver atento, se você estiver prestando atenção ao momento, ao seu corpo, ao aqui e agora...algo acontece; pode ser sentido como êxtase, ou como contentamento.
“Sonho nº 1”
Vazio, silêncio, uma paisagem vai se delineando. Sobre um fundo verde, e morros no horizonte distante uma pomba branca estática em pleno vôo. A cena se move para a direita, tudo é estático como uma fotografia, tudo parece parado, calado revelando um mistério...agora lentamente uma estrada de chão toda esburacada, são poças, São poucos, São muitas poças buracos espelhos d’água, refletem o sonho, o céu, o são...então mais adiante, agora nítido e estático sobre um violeta tablado, tapete-chão suspenso um ser-búdico laranja meditativo, livre, liberto, sendo, apesar dos obstáculos , buracos materiais, fossas abissais, infernos existenciais, ele transcende. Suspensa cena a velha cobra de onze kilometros, onze e onze, dourada e violeta costura todo o quadro arco-iris, Sísifo entretido escarpa abaixo e acima alavancando, suspendendo sua alma pedra algodão doce vermelho de cádmio. Discos, flores, mandalas, cabala, caramelos, peixes, cadeira, bola balões, alçapões...
sábado, 10 de outubro de 2009
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